FESTAS RELIGIOSAS:
Corpus Christi
O fato de Paraty ter ficado isolado geográfica e economicamente do resto do país no período de 1870 a 1950 fez com que se preservassem alguns antigos costumes, em especial as comemorações das grandes datas do catolicismo. Durante as festas religiosas, a cidade fica enfeitada com bandeirinhas, as janelas das casas são decoradas com vasos de flores e toalhas coloridas e, as igrejas são ornamentadas com imagens que normalmente ficam guardadas. Independente do sentido religioso, estar em Paraty durante as festas religiosas é presenciar alguns dos mais ricos eventos culturais do país. As festas religiosas mais interessantes do ponto de vista turístico são:
-FESTA DO DIVINO
Inicia cinquenta dias após o domingo de Páscoa e tem duração de dez dias. A organização da festa é de responsabilidade de um casal de festeiros escolhidos anualmente pela comunidade. O centro histórico é enfeitado com bandeirinhas brancas e vermelhas e, as janelas das casas, com uma toalha vermelha tendo ao centro a imagem de uma pomba branca, simbolizando o Divino. Nesse período ocorrem missas, procissões acompanhadas de banda de música, folias, apresentações de danças, leilões de comidas típicas, desfile do Boi e da Miota (grandes bonecos vestidos por pessoas), almoço gratuito e, para encerrar, uma grande queima de fogos.
-SEMANA SANTA
Inicia quarenta dias após o carnaval. A abertura das festividades ocorre no domingo com a tradicional procissão de Ramos. As janelas das casas são enfeitadas com toalhas rendadas, peças de arte sacra e flores brancas e roxas. Na sexta-feira a meia-noite acontece a procissão do Fogaréu, quando as luzes do centro histórico são apagadas e os devotos levam tochas de bambu. A procissão do Fogaréu inicia na Matriz e passa por dentro de todas as igrejas. Sábado ocorre a procissão dos Passos – único dia do ano no qual os seis Passos (altares encravados nas paredes de residências) são abertas. No último domingo acontece a procissão da Ressurreição.
-FESTA DE SÃO PEDRO
Existe desde 1969 e é comemorada no dia 29 de junho, quando se inaugurou a pequena Igreja de São Pedro, na ilha do Araújo. A imagem de São Pedro, padroeiro dos pescadores, é levada em procissão marítima que sai do cais da cidade com destino à ilha do Araújo. Os barcos pesqueiros são ornamentados com arcos de bambu e bandeirinhas. Escunas levam turistas para acompanhar a procissão. Chegando à ilha, após a missa, há danças e músicas típicas e barraquinhas de doces e de comida caiçara.
-FESTA DE SANTA RITA
Ocorre na última semana de julho e dura dez dias. Tradicional festa que acontece desde 1722 (data da fundação da igreja de Santa Rita). A igreja é especialmente paramentada para as missas que ocorrem durante a festa. As janelas das casas são decoradas com toalhas coloridas e flores. Há procissões seguidas de banda e barraquinhas de comidas e bebidas típicas no largo da Igreja Santa Rita.
-FESTA DE SÃO BENEDITO E NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO
Celebrada no terceiro domingo de novembro. São Benedito era o padroeiro dos escravos e essa festa era considerada a Festa do Divino dos negros. Além de missas e procissões, ocorrem apresentações de danças folclóricas de origem africana.
-FESTA DE NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS
Realizada no dia 8 de setembro, após uma novena preparatória. É uma festa simples, considerando que Nossa Senhora dos Remédios é a padroeira da cidade. A festa começa na alvorada do dia 8, com os sinos das quatros igrejas tocando. As ruas são enfeitadas com bandeirinhas brancas e azuis, e as janelas das casas com toalhas e objetos de arte sacra. Por volta das 16:00h sai uma procissão da Igreja Matriz. À noite ocorrem leilões de comidas típicas e apresentações de danças e música.
-PROCISSÃO DE CORPUS CHRISTI
Ocorre anualmente no mês de maio ou junho, com duração de um dia. As ruas do centro histórico por onde passa a procissão são enfeitadas com tapetes de folhas e serragem, formando desenhos com motivos religiosos.
FESTAS PAGÃS:
Bloco da Lama
-CARNAVAL
O carnaval tradicional de Paraty é de rua, com a presença dos Mascaradinhos e do Boronofe, desfile de Escolas de Samba e bandas musicais tradicionais puxando os foliões pelas ruas do centro histórico. De criação mais recente, o Bloco da Lama sai da praia do Jabaquara em direção ao rio Perequê-Açu no sábado de carnaval.
Boronofe é um boneco gigante, com uma cabeça de meio metro de diâmetro, trajando capa às costas e roupas de cores alegres, vestidos por um adulto, Esse estranho ser vem da distorção do nome do cientista russo Voronoff que entre 1912 a 1915 criou polêmica (críticas e piadas) ao fazer transplantes de sexo em animais. Mascaradinhos são crianças e adolescentes que saem fantasiadas com feias máscaras de papel machier e roupas largas e velhas, assuntando as crianças com o ruído “Brrrrrr”. Em resposta ouvem: “Mascarado bobo, feio e horroroso” ou “Mascarado pé de pato, comedor de carrapato”. Os Mascaradinhos saem desde o Dia dos Reis, em janeiro, até o último dia do carnaval.
Para sair no Bloco da Lama, centenas de foliões vão ao mangue localizado no fim da praia do Jabaquara cobrir todo o corpo, inclusive rosto e cabelo, com lama e algas. Até cavalos e cachorros fazem parte do bloco. Irreconhecíveis e portando cajados de madeira e caveiras de cabeça de boi, saem assustando os transeuntes, gritando em coro “Uga-uga, Rá-ra”.
-O FESTIVAL DA CACHAÇA
O Festival da Cachaça acontece desde 1983 e foi criado pelos alambiqueiros de Paraty para divulgar a aguardente produzida na região. Ocorre anualmente no terceiro final de semana de agosto, com duração de três dias. Nele são expostos os equipamentos utilizados no preparo da bebida, rótulos antigos das garrafas e procura-se conscientizar os visitantes quanto à importância da cachaça para a cultura e economia da cidade. Durante o evento pode-se degustar os vários tipos de aguardente, assim como comidas típicas e ouvir cirandas e bandas musicais.
-FESTA LITERÁRIA INTERNACIONAL DE PARATI (FLIP)
A primeira FLIP ocorreu no ano de 2003 e vem sendo realizada anualmente, com duração de cinco dias. Durante a festa escritores nacionais e internacionais apresentam seus livros e teorias para o público além de participarem de encontros reservados para debates entres os escritores. Um ponto interessante da FLIP e o espaço infantil chamado de Flipinha.